16/Maio/2006
terça-feira, maio 16, 2006
Circular nº 13
16/Maio/2006
segunda-feira, maio 15, 2006
Art. 37º - Liberdade de Expressão e Informação
2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.
3. As infracções cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respectivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei.
4. A todas as pessoas, singulares ou colectivas, é assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de rectificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos.
sexta-feira, maio 12, 2006
Uns vão bem e outros mal
façam roda por favor, cada um com o seu par
Aqui não há desamores, se é tudo trabalhador o baile vai começar
Senhoras e meus senhores,
batam certos os pézinhos, como bate este tambor
Não queremos cá opressores, se estivermos bem juntinhos,
Vai-se embora o mandador, Vai-se embora o mandador
(...)
De velhas casas vazias, palácios abandonados, os pobres fizeram lares
Mas agora todos os dias, os polícias bem armados desocupam os andares
Para que servem essas casas, a não ser para o senhorio viver da especulação
Quem governa faz tábua rasa, mas lamenta com fastio a crise da habitação
E assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal
Fausto, Madrugada dos Trapeiros, 1978
quarta-feira, maio 10, 2006
Art. 21º - Direito de resistência
in Constituição da República Portuguesa
segunda-feira, maio 08, 2006
Há sempre alguém que diz NÃO!
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
(...)
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
(...)
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
(...)
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre
terça-feira, maio 02, 2006
PROHABITA - Programa de Financiamento para Acesso à Habitação
O PROHABITA - Programa de Financiamento para Acesso à Habitação -, tem como objectivo resolver o problema não só de pessoas residentes em barracas ou casas abarracadas (como acontecia anteriormente), mas quaisquer situações de grave carência habitacional das famílias residentes no território nacional.
Criado no em 3 de Junho de 2004 através do Decreto Lei nº 135/2004, de 3 de Junho o PROHABITA visa em concreto as seguintes situações:
- População residente em barracas;
- População residente em edificações sem condições de habitabilidade;
- População residente em edifícios degradados e cuja reabilitação seja inviável;
- Situação de sobreocupação dos alojamentos;
- Realojamentos provisórios ou definitivos no âmbito de operações municipais de reabilitação urbana;
- Realojamentos decorrentes de situações de calamidade pública, intempéries ou outros desastres naturais.
O PROHABITA é concretizado através da celebração de Acordos de Colaboração entre:
- O INH e os Municípios;
- O INH e as Regiões Autónomas.
Podem beneficiar dos apoios previstos no PROHABITA, as seguintes entidades:
- As Regiões Autónomas;
- Os Municípios;
- Os Institutos Públicos e as entidades públicas empresariais de capitais exclusivamente públicos, com atribuições no âmbito territorial das Regiões Autónomas e competências para a promoção e gestão de habitação social;
- As empresas públicas municipais;
- As Instituições Particulares de Solidariedade Social;
- As Pessoas Colectivas de utilidade Pública Administrativa que prossigam fins assistenciais;
- As Instituições Privadas sem fins lucrativos;
- As Cooperativas de Habitação e Construção com experiência e capacidade na promoção de habitação de custos controlados.
As candidaturas são apreciadas pelo INH e, caso mereçam o seu parecer favorável, sujeitas a aprovação do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação.
sábado, abril 29, 2006
O que é um Freguês?
in Dicionário Lello Prático Ilustrado
sexta-feira, abril 28, 2006
terça-feira, abril 25, 2006
25 Abril: Manifestação em Lisboa aproveitada para contestação laboral e social
"(...) Centenas de moradores da zona de Chelas aproveitaram também a ocasião para se manifestar contra a actualização de rendas que está a ser imposta pela Fundação Dom Pedro IV, actual gestora das casas sociais nos bairros dos Lóios e Amendoeiras.
Esses moradores começaram a manifestar-se ainda antes do desfile, considerando-se "roubados pelos inimigos de Abril" e empunharam faixas e cartazes com palavras de ordem: "Não pagamos", "Chelas unida jamais será vencida" ou "Chelas infeliz com gesto de Canto Moniz", referindo-se ao presidente da Fundação.
Ao som de bombos, os moradores entoaram ainda palavras de ordem como "corrupção na habitação pelas mãos da Fundação" ou "Património doado deve voltar ao Estado", que era quem anteriormente geria as moradias.
AH/HSF.
Lusa/Fim"
segunda-feira, abril 24, 2006
Bairros dos Lóios e das Amendoeiras juntos por Abril
Os moradores dos fogos doados gratuitamente pelo Estado à Fundação D. Pedro IV, vão exigir o respeito pelo Direito à Habitação, consagrado na Lei fundamental da República – a Constituição!
A participação dos Bairros das Amendoeiras e dos Lóios terá como princípio não desvirtuar o espírito do Cortejo das celebrações, pelo que irá adequar a sua presença dentro dos direitos e das conquistas alcançadas com a Revolução de Abril de 1974 e que, por alguns, como é o caso da Fundação D. Pedro IV querem pôr em causa.
Os moradores dos Bairros das Amendoeiras e dos Lóios irão, pois, manifestar-se:
- Contra a prepotência, a chantagem e o terrorismo social da Fundação D. Pedro IV;
- Contra o ilegal aumento brutal e abrupto das rendas;
- Pelo retorno ao Estado do património doado;
- Pela alteração do Decreto-Lei n.º 166/93;
- Pela extinção da Fundação D. Pedro IV;
- Pela manutenção das liberdades, dos direitos e das garantias que, com Abril, foram conquistadas.
quinta-feira, abril 20, 2006
Jornal de Notícias: Governo promete solução para os bairros de Chelas
Gabriela Freitas, chefe do gabinete do secretário de Estado, terá dito a uma delegação de moradores, acolhida nas instalações, que o dossiê está a ser estudado para que seja "encontrada uma solução com fundamentos, sem pés de barro". Até lá, continuou a responsável, a Secretaria aguarda o parecer de uma entidade que foi chamada a pronunciar-se sobre o assunto.
"Corrupção na habitação, pelas mãos da Fundação", "Chelas unida, jamais será vencida", ou ainda "Património mal doado, deve voltar ao Estado", foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos moradores ou exibidas em cartazes, alguns com letras garrafais, numa manifestação que chegou a juntar cerca de 500 pessoas. Prometem voltar aos protestos no dia 25 de Abril.
Em causa está o aumento das rendas nestes dois bairros da zona oriental de Lisboa, provocados pela transferência de 1400 fogos do organismo estatal IGAPHE para a Fundação D. Pedro IV. Um aumento que consideram "brutal" e que mexe com a vida de cerca de cinco mil pessoas, muitas de parcos recursos.
Câmara será "mediadora"
Os moradores entregaram uma moção na Secretaria de Estado onde exigem, entre outras matérias, que a gestão dos bairros volte ao Estado, a reabilitação do edificado com análise prévia do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, a extinção da Fundação D. Pedro IV. Pretendem ainda a possibilidade de aquisição das casas ou mesmo o título de propriedade para rendas pagas durante 30 anos. Entretanto, a vereadora Maria José Nogueira Pinto, que tutela o pelouro da Habitação Social na Câmara Municipal de Lisboa, revelou que vai reunir-se, amanhã, com o secretário de Estado do Turismo para abordar a questão dos bairros dos Lóios e Amendoeiras.
Maria José Nogueira Pinto adiantou que vai entregar ao Governo um documento onde são identificadas "um conjunto de incorrecções e irregularidades" no âmbito da polémica transferência destas habitações para a Fundação D. Pedro IV.
Embora o assunto não diga directamente respeito à autarquia, a vereadora aceitou assumir o papel de "mediadora" na resolução deste problema, que tanto tem revoltados os moradores."
in Jornal de Notícias, 20/Abril/2006
quarta-feira, abril 19, 2006
Governo assume compromisso público com os moradores de Chelas
Os moradores, recebidos pela Chefe de Gabinete, Eng. Gabriela Freitas, entregaram, uma moção onde exigem que a gestão dos 1400 fogos doados à Fundação D. Pedro IV volte a ser tutelada pelo Estado, já que a Fundação não apresenta perfil para gerir o património em questão, o seu comportamento pauta-se por violações constantes às leis de um Estado de Direito e Democrático e a sua gestão apresenta graves irregularidades, tendo sido a sua extinção pedida no ano de 2000.
O Governo assumiu publicamente com os moradores o compromisso de apresentar uma solução até ao final de Maio do corrente ano que vá de encontro às expectativas dos moradores.
Moradores do Bairro das Amendoeiras - Chelas, EXIGEM
Património mal doado, tem que voltar imediatamente ao Estado
A propriedade das suas Casas, que foram pagas em 25 anos de prestações de renda fixa e inalterável
Que se cumpram os acordos celebrados com o Estado, em 1974
Que a Constituição seja cumprida e respeitada
Serem tratados com Dignidade e Respeito, segundo as leis do Estado de Direito Democrático e Livre
Canto Moniz, Políticos Corruptos e Amigos Ladrões que sejam Julgados e Punidos exemplarmente
Extinção imediata da Fundação D. Pedro IV
Do Governo, a obrigação de combater esta Corrupção e este favorecimento político
Moradores denunciam Corrupção na Habitação
Presidente da Fundação D. Pedro IV desde 1993, Eng. Vasco Canto Moniz foi Director da Habitação do Fundo de Fomento da Habitação/IGAPHE, até 1990
Vasco Canto Moniz foi expulso do IGAPHE com processo disciplinar por lesar o Estado e desviar fundos para proveito próprio
Relatório que prova corrupção e burlas na Fundação D. Pedro IV de 1993 a 2000 e que pedia a extinção da Fundação foi arquivado por políticos e juízes em 2003
Após isto, em 2005, Canto Moniz e Fundação D. Pedro IV recebem gratuitamente do Estado, 1400 casas
Fundação aumenta imediatamente em 3000% a 4000% as rendas dos Bairros das Amendoeiras e dos Loios em Chelas
Fundação actua com Terrorismo Social e Psicológico e demonstra falta de perfil e capacidade para gerir o património e para lidar com seres Humanos
quarta-feira, abril 12, 2006
O Bairro dos Lóios e a Fundação D. Pedro IV
O ponto de vista da Associação Tempo de Mudar foi, desde sua criação (a 18-11-1998), a de que o Estado deveria responsabilizar-se sobre aquilo que desenhou mal e construiu ainda pior. Precisando: deveria encomendar um estudo, designadamente, ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), no sentido da identificação das patologias da construção e, posteriormente, fazer uma análise de custo/benefício para verificar se valeria a pena fazer a reabilitação dos edifícios ou se seria mais económico proceder à sua reconstrução. Este foi o caminho que alguns países europeus, nomeadamente a França, encontraram para o mesmo tipo de construção.
Todavia, o Estado resolveu optar por persistir na sua atitude irresponsável (ignorar os problemas estruturais e de segurança dos moradores), doando os imóveis em causa a uma fundação, durante o período de gestão do Governo do dr. Pedro Santana Lopes.
A instituição escolhida, entre outras candidatas, foi a Fundação D. Pedro IV, que, para efeitos dos cálculos das novas rendas, considerou que os prédios e as suas fracções autónomas estavam em bom estado e, deste modo, aplicou o coeficiente máximo previsto no Decreto-Lei n.º 166/93. No caso do Bairro dos Lóios, os ditos aumentos chegaram, nalguns casos, a atingir os 15.500 por cento.
Eduardo Gaspar
Lisboa"
PÚBLICO - EDIÇÃO IMPRESSA - LOCAL LISBOA
Director: José Manuel Fernandes
Directores-adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 5859 | Quarta, 12 de Abril de 2006
sábado, abril 01, 2006
O mistério de um arquivamento
Depois disso não há nota de qualquer outro movimento do processo, não tendo o relatório sido sequer enviado à fundação para esta exercer o direito do contraditório.
Ao que tudo indica, o processo saiu do gabinete de Simões de Almeida para o arquivo sem o imprescindível despacho de arquivamento, e só em 2003, quando o seu sucessor o mandou procurar para explicar a situação ao tribunal (ver texto principal) é que ele próprio despachou o seu arquivamento sem qualquer conclusão.
Um ano depois, a Fundação D. Pedro IV conseguiu que o Governo de Santana Lopes lhe entregasse a gestão da Mansão de Marvila, um dos maiores equipamentos da segurança social, que alberga quase duas centenas de idosos e jovens em risco e possui mais de 150 funcionários públicos ao seu serviço. Quase em simultâneo, no Verão de 2004, o IGAPHE decidiu entregar gratuitamente àquela instituição os 1469 fogos dos bairros sociais das Amendoeiras e dos Lóios, também em Lisboa.
No fim do ano passado, os inquilinos destes bairros de Chelas foram surpreendidos com a exigência de aumentos de rendas considerados incomportáveis por muitos deles e que chegavam a ultrapassar os 2000 por cento.
O presidente da fundação agora senhoria, Canto Moniz, foi director regional do IGAPHE até 1990, e um dos vogais da sua administração, Jorge Cunha Pires, foi seu subordinado naquele instituto público. Para além destes dois engenheiros, a administração da instituição conta com Carlos Blanco de Morais, que é o principal consultor jurídico do actual Presidente da República, e ainda com Fritz Feldmann e Rui Pinheiro Gomes. J.A.C."
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Director: José Manuel Fernandes
Directores-adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 5849 | Sábado, 1 de Abril de 2006
Um documento arrasador
Instruído com intervenção directa de um magistrado do Ministério Público que então desempenhava as funções de subinspector-geral e deixou o cargo inesperadamente, o relatório inclui uma auditoria financeira e numerosos autos de declarações de antigos dirigentes, além de funcionários e até dois empreiteiros. Ambos dizem que ficaram credores de milhares de contos que nunca lhes foram pagos por trabalhos efectuados em edifícios da fundação e em casas particulares de Vasco Canto Moniz. Os dois construtores trabalhavam
também para o IGAPHE à época em que aquele engenheiro dirigia os seus serviços regionais de Lisboa e alegam que algumas das obras feitas para a fundação eram pagas através de sobrefacturação ao IGAPHE. Antes de propor que seja pedida a "destituição judicial" dos corpos gerentes e/ou a extinção da fundação, o relatório diz que "urge pôr cobro" a uma
situação "que repugna num Estado de direito democrático, principalmente pelo desvirtuar de todos os princípios de solidariedade subjacentes".
Outra conclusão é a de que "não houve qualquer vantagem social" na transformação em fundação da antiga SCAIL, herdeira de uma instituição criada por D. Pedro IV. "Ao contrário, verifica-se que a situação foi aproveitada por alguns membros do conselho de administração em proveito próprio." O texto sustenta que os associados da SCAIL e o Estado "foram enganados pelos responsáveis da fundação" e que a criação desta "parece ter visado apenas impedir a alternância democrática na gestão [da SCAIL] decorrente dos actos eleitorais regulares, permitindo a eternização de alguns elementos à frente da instituição".
O documento defende que a ligação da fundação a uma empresa e a uma rede de cooperativas de habitação, onde os seus administradores ocupam lugares de direcção remunerados e que funcionam na sede da instituição, desvirtua os seus fins estatutários.
Desde a transformação da SCAIL em Fundação D. Pedro IV, a instituição recebeu da Misericórdia de Lisboa subsídios anuais entre os 100 e os 200 mil contos para as sete creches e jardins-de-infância que tem em Lisboa com 750 utentes. Pelos corpos sociais da fundação, principalmente pelos conselhos social e consultivo, que a IGSS diz nunca terem tido qualquer actividade, têm passado numerosas figuras com ligações à política e particularmente ao PSD e ao CDS, tais como Bagão Felix, Alarcão Troni, Arlindo Donário (antigo adjunto de Cavaco Silva no Governo) e Carlos Blanco de Morais, bem como magistrados e oficiais generais reformados. Um destes, o falecido general Themudo Barata, declarou à IGSS que se demitiu das suas funções depois de Canto Moniz o ter aliciado para facilitar um negócio imobiliário da fundação com terceiros, a troco de dezenas de milhar de contos para Sociedade de Histórica da Independência de Portugal, de que aquele militar era presidente. J.A.C."
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POL nº 5849 | Sábado, 1 de Abril de 2006
hoje no Público: Ex-secretário de Estado ignorou proposta de extinção da Fundação D.Pedro IV
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Pequeno Relato da Situação dos Moradores do IGAPHE do Bairro de Chelas Zona I
Antes de 25 Abril de 1974, o então existente Fundo Fomento de Habitação, iniciou a construção de diversos fogos, cerca de 923, para habitação social no Bairro de Chelas, freguesia de Marvila, Concelho de Lisboa, denominado como "Bairro de casas económicas de Chelas". Logo após o 25 de Abril e até 10 de Maio de 1974, quinhentos e setenta e cinco desses fogos foram ocupados por moradores e posteriormente, no decorrer dos anos 1974 e 1975, foram ocupados mais trezentos e oitenta e nove fogos, legalizados pelo D.L. no 198-A/75, de 14 de Abril e pelo D.L. no 294/77, de 20 de Julho.
A chamada renda fixa praticada pelo F.F.H. e pelo C.N.P. em 1974 e que se prolongou pelos anos seguintes, era calculada por uma fórmula que levava em conta os custos da obra, terrenos, materiais, custos de investimento, honorários, etc..., o qual se dividia por 300 meses (25 anos), obtendo um valor denominado por "renda fixa". É uma renda destinada a pagar a habitação durante vários anos, daí não sofrer alterações. Assim era a prática do F.F.H. na altura e terá sido o praticado no bairro de Chelas à luz de outros bairros, como o de Mira Sintra.
Para além de todas estas considerações, foi acordado entre os interessados que comparticiparam na construção dos fogos, F.F.H, C.N.P., A.G.P.L., SONAP, P.S.P. e Gulbenkian, que a renda seria fixa. O Estado deu o seu aval, numa reunião onde estavam presentes: Um representante do M.F.A., Capitão Santos Silva, o Secretário de Estado da Habitação, Arqto Nuno Portas e um representante da Comissão de Moradores.
O valor da renda seria mesmo fixado por um despacho da Secretaria de Estado da Habitação e Urbanismo, datado de 12 de Agosto de 1974 (valor praticado sem alterações ao longo de 30 anos).
Aquando da "segunda leva" de ocupações é nomeada uma comissão, com representantes dos moradores, para averiguar a situação criada pela ocupação do Bairro de Chelas (despacho de 25/03/1976), tendo-se averiguado que a portaria nº 387/77, não favorecia os moradores e que as rendas seguiriam os moldes daquelas já praticadas no bairro.
Efectivamente, foi sempre prometido aos moradores, pelos responsáveis políticos da época, que iriam pagar as referidas rendas técnicas, por serem calculadas de acordo com o custo de construção do fogo, durante vinte e cinco anos e que depois as habitações seriam suas, tal como o praticado no bairro de Mira-Sintra e no bairro Gulbenkian, em Vila Franca de Xira.
De facto, as habitações terão sido atribuídas aos moradores em regime de propriedade resolúvel. Note-se que existiam, à época, fundamentalmente duas modalidades de habitações, ou em regime de propriedade resolúvel ou em regime de arrendamento, com actualizações de rendas só permitidas nos termos do arto 21o, do D.L. no 49033, de 28 de Maio de 1969. Era prática do F.F.H. atribuir os referidos fogos em regime de propriedade resolúvel por simples contrato. E assim sucedia ainda quando os respectivos prédios ainda não estavam em regime de propriedade horizontal ou sequer descritos na respectiva Conservatória do Registo Predial (exemplo do bairro de Mira-Sintra), pagando os moradores uma renda fixa até a efectivação do respectivo contrato de propriedade resolúvel (arrendamento resolúvel).
No caso do Bairro de Chelas, o registo dos fogos nas Finanças só terá sido efectuado em 1996. Durante todos esses anos e até 2004, os funcionários diziam sempre aos moradores que “mais cedo ou mais tarde” as casas acabariam por ser entregues e que “só ainda não tinha acontecido por haver problemas com os terrenos”. Mesmo em 2004, terá sido efectuada, por alguns funcionários do IGAPHE, a simulação da alienação das habitações a alguns moradores e apresentado um custo que visaria a variação da taxa de inflação desde 1974.
A partir dos anos 80, o IGAPHE iniciou a alienação do património em quase todo o país e assim acontecia quando o património era cedido aos municípios e freguesias. Aliás, só assim faria sentido a autorização do IGAPHE para que os moradores efectuassem obras de manutenção e melhoramento não só das habitações, bem como dos espaços comuns, sem que isso apresentasse custos presentes ou futuros para o IGAPHE.
Em 2003/2004 é decidida a extinção do IGAPHE, passando o Instituto Nacional da Habitação a tutelar todos os assuntos relacionados com a habitação do Estado. Em 2004, é anunciada a alienação do resto do património do IGAPHE aos Municípios, Juntas de Freguesia, etc.... Em Março de 2004, é discutida a passagem do património para a C.M.L. em Assembleia Municipal, tendo sido a passagem rejeitada pela oposição devido à apresentação de um relatório possivelmente falseado que apontava o bairro como um “presente envenenado”. É de estranhar que nesta reunião a Vereadora da Habitação, Helena Lopes da Costa, referencie já o nome da Fundação D. Pedro IV.
O referido património é então cedido “gratuitamente” ao abrigo da Lei no 55-B/2004, de 30 de Dezembro, numa lei do orçamento do estado rectificativo e quando a Assembleia só tinha poderes administrativos. A dita transferência é efectuada para a Fundação D. Pedro IV, a 1 de Fevereiro de 2005, sendo apenas os moradores informados do “facto consumado”.
No final do mês de Agosto, a Fundação D. Pedro IV efectua inquéritos porta a porta, onde dizem que é apenas para a actualização dos processos e onde pedem às pessoas que mostrem as suas declarações de rendimentos, recibos de ordenado, escrituras de bens que possam possuir e que lhes seja dado acesso a fotografar o interior das habitações.
Neste dito processo e num ambiente intimidatório, tentam coagir as pessoas a assinar uma declaração de honra onde se inclui, nas entrelinhas, uma aceitação do regime de renda apoiada.
Desde essa data que os serviços da Fundação D. Pedro IV ameaçam alguns moradores ora com aumentos de renda ora com ameaças de retirada de determinada habitação para a atribuição de outra habitação de tipologia inferior.
Após várias deslocações e pedidos reiterados dos moradores a fim de consultar os processos, com especial atenção para os documentos que assinaram com o F.F.H. a fim de comprovarem que é ilegal qualquer aumento de renda, sempre em vão, os moradores organizaram-se e formaram uma comissão de moradores a fim de poderem lidar com o problema e serem representados legalmente por um advogado.
Como primeira medida, o advogado da comissão interpôs uma providência cautelar a fim da Fundação D. Pedro IV ser obrigada a apresentar os referidos documentos, já que a fundação estava na posse dos processos individuais dos moradores, desde 1 de Fevereiro de 2005.
A 10 de Outubro de 2005, a Fundação D. Pedro IV anuncia publicamente na imprensa, a aplicação do regime de renda apoiada, a vigorar a partir de 1 de Janeiro de 2006.
A 17 de Outubro de 2005, a Fundação D. Pedro IV, convida por “sorteio”, dois a três moradores por lote a fim de comparecerem numa sessão de esclarecimento sobre a renda apoiada e sobre a inexistência de contratos escritos. Os “sorteados” são na sua maioria reformados, analfabetos, idosos com escolaridade reduzida e inclusive deficientes visuais e motores.
O advogado dos moradores tentou assistir à dita reunião, munindo-se de procurações legais em representação de alguns moradores convidados, tendo sido a entrada barrada por ordem do Presidente da Fundação, Engo Vasco Canto Moniz. Foi requisitada a intervenção da P.S.P. à qual foi barrado também qualquer tipo de acesso, tendo sido apresentada a respectiva queixa-crime.
Nessa sessão de esclarecimento, o Eng. Vasco Canto Moniz, que foi Director da Habitação do IGAPHE em anos anteriores, fornece aos presentes um pressuposto contrato de arrendamento (dando a entender que os moradores de Chelas se encontrariam na mesma situação), contrato esse, e após análise cuidada, que terá sido falsificado e alvo de uma montagem.
Por ordem da Juíza, datada de 21 de Outubro de 2005, foi efectuada a 28 de Outubro o arrolamento dos processos de alguns moradores, chegando-se à conclusão da inexistência de qualquer tipo de contrato escrito.
Na semana seguinte e por insistência da comissão de moradores, é facultado pelo IGAPHE, o acesso aos processos gerais do bairro (que estão ainda na posse do IGAPHE) e de onde terá desaparecido documentação esclarecedora do regime de atribuição das habitações, sendo dada a informação pela Dra. Fernanda Marques que se trataria de um arrendamento social, igual aos praticados nos dias de hoje.
Em conversação telefónica com o Presidente do IGAPHE, Dr. João Paulo Zbyszewski, foi comunicado à comissão de moradores que em 2003/2004 estava planeada a alienação do património aos moradores e que esta teria sido cancelada por “ordens do Governo de então”, tendo sido o próprio presidente do IGAPHE contra a passagem do património para a Fundação, intenção essa expressa num comunicado interno.
Foi-nos dito ainda pelo Dr. João Zbysewski, que o próprio concurso de atribuição teria sido contestado por outro concorrente, a Cooperativa Voz do Operário.
Neste processo todo, os moradores lesados e enganados pelo IGAPHE, estão agora mergulhados num clima de instabilidade e terror, provocado por uma fundação dita de solidariedade social e pelo seu presidente, clima esse preconizado por um autismo desmesurado, por ameaças públicas e actos de má-fé, tendo causado um grande desgaste e danos morais a mais de 900 famílias. Como expoente máximo desse terror, sucumbiram já de ataque cardíaco cinco moradores. Um destes moradores, era um testemunho vivo do bairro, já que foi ele o representante da comissão durante 5 anos (1975-1980) e que terá negociado pessoalmente com os políticos de então todo o processo de legalização e atribuição das habitações.
Sucumbiu mergulhado em documentação, de certeza que à procura da “luz” que resolvesse e provasse a veracidade da nossa situação.
A Fundação já começou a enviar cartas aos moradores, com os novos valores de renda a aplicar, a partir de 01 de Janeiro de 2006, os quais se situam na ordem dos 300€/400€, traduzindo-se em aumentos efectivos de mais de 3000%, com as ameaças habituais de que quem não pagar terá ordem de despejo. Prepararam também declarações para serem assinadas pelos moradores mais temerosos para que os mesmos concordem com os valores da tal renda apoiada mas que são uma verdadeira armadilha, já que estas declarações assinadas poderão ter o efeito de um contrato.
Só os forasteiros e oportunistas, com conivência de políticos menos sérios, podem enriquecer desta forma no nosso País, desrespeitando tudo e todos.
De todas as afirmações proferidas neste relato, existem documentos.
Por favor, ajude-nos a divulgar os atropelos e as graves violações das liberdades e garantias defendidas pela Constituição da República Portuguesa!!!
O meu muito obrigado em nome de todos os moradores.

