quarta-feira, julho 05, 2006

Câmara de Lisboa quer acabar com política "subsidiodependente"

Nos últimos três anos, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) atribuiu mais de 15 milhões de euros em subsídios às instituições particulares de solidariedade social (IPSS), no âmbito da acção social. Uma política que o próprio vereador do pelouro classificou como de "subsidiodependente" e que é necessário alterar. E para atingir este objectivo Sérgio Lipari Pinto escolheu cinco peritos, que serão empossados amanhã e que terão como missão definir um novo plano estratégico de intervenção social para a câmara até ao final do ano. Um modelo que terá de assentar na promoção do "desenvolvimento social sustentado", através do empreendedorismo solidário, e não na atribuição de subsídios.

Segundo explicou ontem o vereador, num encontro com jornalistas, "este plano deverá fomentar a coabitação entre economia de mercado e economia social, devendo desenvolver modelos de gestão que incentivem a modernização das estruturas das IPSS, tornando-as mais competitivas e dando maior eficácia aos programas e respostas sociais que as promovam".

Isto porque, e ainda na percepção do autarca, o modelo de gestão actual das IPSS baseia-se muito numa filosofia quase "doméstica e individualista". Por isso, defende, se for possível alterar esta forma de actuar, passando para uma atitude que proporcione "maior sustentabilidade e autonomia", através de parcerias, entre as instituições e empresas diversas, estar-se-á a "aumentar e melhorar a capacidade de resposta destas", reduzindo-lhes a dependência dos subsídios. Neste contexto, a nova estratégia social terá de apontar para "novas fontes de investimento que visem a qualificação do potencial humano, dos produtos e dos serviços prestados pelas IPSS, incentivando iniciativas que promovam o autofinanciamento e a empregabilidade".

Mas para dar sustentabilidade a esta estratégia de acção a CML já criou instrumentos de apoio. É o caso do Centro de Inovação Vocacionado para o Empreendedorismo Solidário (CIVES), que irá transformar a Escola de Artes e Ofícios Tradicionais num espaço de apoio à formação socioprofissional.

No que toca às instituições de solidariedade social, a nova política camarária parece ser bem recebida. Contudo, e conforme referiu ao DN o padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das IPSS, há que ter em conta um aspecto: "Não iremos abdicar dos protocolos com o Estado e dos subsídios a que temos direito." No entanto, sublinhou, "é importante que as IPSS dêem passos no sentido de se tornarem autónomas. Há gestores muito dedicados, mas sem formação qualificada para avançarem rumo à inovação. E é preciso que a adquiram".

segunda-feira, julho 03, 2006

"Cidade Hospitalar" em Chelas

Um novo complexo hospitalar deverá surgir em Lisboa, na zona de Chelas, de que farão parte o IPO, o Hospital de Todos-os-Santos e um hospital pediátrico.

Inserido num projecto de reorganização hospitalar, o Governo, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, está empenhado na construção do novo Hospital de Todos-os-Santos, em Chelas, assim como na criação de um hospital pediátrico e a mudança das instalações do IPO (Instituto Português de Oncologia).
Em declarações ao Diário Económico, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, afirmou: "A construção do Hospital de Todos-os-Santos na zona de Chelas tem todo o nosso apoio". E enfatizou que o "Plano Director Municipal já contempla essa hipótese".
Este novo hospital - cuja localização geográfica terá já sido acertada pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, e o presidente da autarquia de Lisboa - irá substituir o dos Capuchos, São José, Santa Maria e Desterro.
A construção do Hospital de Todos-os-Santos deverá contar com a colaboração dos privados, em parceria com o Ministério da Saúde. A gestão clínica deve ficar a cargo do Estado através de uma entidade pública empresarial.
Quanto à mudança de instalações do Instituto Português de Oncologia (IPO), esta estará em fase de negociações. De acordo com declarações do porta-voz do Ministério da Saúde, as negociações não estão a ser realizadas apenas com a autarquia da capital, porque "há outras câmaras municipais, como a de Oeiras, que também têm propostas para a instalação do IPO e que estão a ser levadas em conta pela tutela". Se o IPO mudar para Chelas, ficará a menos de um quilómetro do novo hospital.
O projecto da construção de um novo hospital pediátrico depende de uma decisão sobre o futuro da Maternidade Alfredo da Costa e do Hospital Dona Estefânia.
Por definir estão ainda as zonas da cidade que ficarão adstritas ao Hospital de Todos-os-Santos, bem como o reordenamento dos Centos de Saúde.
Segundo o Mnistério da Saúde, o estudo sobre a reorganização dos hospitais de Lisboa ficará concluído até ao fim do ano, mas o novo hospital só estará pronto em 2009.
Isabel Antunes
in revista Plenitude
nº 38, Junho de 2006

sexta-feira, junho 30, 2006

Quem és tu "Zé Gato"

A cidade é p'ra fazer dinheiro
E se tu és um tipo inteiro
Vais passar um mau bocado
Vais ver o que custa não ser ouvido
No meio de tanto homem vendido
Em silêncio comprado

Quem és tu, Zé Gato?
O que é te te faz correr
Pelos cantos mais sujos, nesta terra
Tu já deves saber
Que mesmo quando vences batalhas
Estás longe de acabar com a guerra
Quem és tu, Zé Gato?

Mas tu és teimoso, como um burro
Vem na luva ou vem a murro
Nada te faz desistir
A luta é de vida, ou de morte
Mas a consciência é mais forte
E não te deixa fugir

Quem és tu, Zé Gato?
O que é te te faz correr
Pelos cantos mais sujos, nesta terra
Tu já deves saber
Que mesmo quando vences batalhas
Estás longe de acabar com a guerra
Quem és tu, Zé Gato?

quarta-feira, junho 28, 2006

Carmona Rodrigues quer ver Ministérios em Chelas e na Ajuda

Uma notícia desenterrada do "Vida Imobiliária" datada de 2/Novembro/2004:


Em entrevista alargada à Vida Imobiliária (disponível na edição de Dezembro), Carmona Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), defende a deslocalização dos vários Ministérios dispersos por Lisboa para pólos na Ajuda e em Chelas. As excepções são a Defesa, Finanças e Justiça, que deverão manter-se no Terreiro do Paço, para que esta praça «não perca a sua identidade enquanto simbolo do poder».
O presidente da CML considera que esta é uma solução «mais eficaz quer para o funcionamento da cidade, quer para a eficiência dos próprios serviços ministeriais». O Palácio da Ajuda, que alberga o Ministério da Cultura e o IPPAR e que poderá ser, com esta solução, finalmente concluido, e a zona de Chelas são as localizações apontadas para o desenvolvimento de novas cidades administrativas, que a acontecer, implicarão a desocupação de diversos edificios na cidade de Lisboa, com especial incidência nas Avs. 5 de Outubro e da República, localizações onde o Estado é um dos principais ocupantes. Segundo o presidente da CML, os espaços libertados poderão ser transformados em habitação jovem ou espaços culturais e museológicos, entre outros usos. Refira-se ainda que a própria CML está a encetar esforços para operar uma maior concentração geográfica dos seus serviços, disperso em mais de 60 edificios.«Estamos a tentar concentrar mais edificios camarários em torno dos Paços do Concelho», avançou Carmona Rodrigues.

in Vida Imobiliária, 2/Nov/2004

terça-feira, junho 27, 2006

Descontos de Saúde nos Lóios e Amendoeiras

Mais uma "notícia fresquinha" da Fundação D. Pedro IV:

"A Fundação D.Pedro IV, gestora de 1.500 fogos nos bairros lisboetas das Amendoeiras e dos Lóios, anunciou que os seus inquilinos vão ter descontos em serviços de saúde, uma medida que surpreendeu os moradores.
Um protocolo entre a fundação e uma clínica de Chelas permitirá aos arrendatários dos bairros dos Lóios e das Amendoeiras e respectivos agregados familiares, aos utentes dos sete estabelecimentos de infância e do lar Mansão de Santa Maria de Marvila beneficiarem de vantagens e tarifas reduzidas, associadas ao pagamento anual de um Cartão de Saúde no valor de 20 euros.
Pedro Henriques, da Fundação D.Pedro IV, assegurou à Lusa que esta medida “não é de todo uma tentativa de atenuar os problemas que têm havido com os moradores dos bairros”.
O protocolo com a clínica surge no seguimento da estratégia da instituição de permitir aos seus arrendatários poderem ter benefícios sociais e estende-se a todas as outras famílias que residem em fogos da fundação."

Eles esqueceram-se de dizer que só há descontos para quem aceitar a nova renda da Fundação e mesmo assim os que quiserem usufrir desta "generosa benesse", têm que fornecer todos os dados do agregado familiar inclusive os rendimentos!

sábado, junho 24, 2006

Fundação D. Pedro IV retirou queixa em tribunal

No seguimento da notícia saída no jornal Público no dia 19 de Junho de 2006, "Julgamento envolve a Fundação D. Pedro IV"...

"Pedido de indemnização motivado por denúncia de ilegalidade não chegou a ser julgado"

"A Fundação D. Pedro IV e o seu presidente, Vasco Canto Moniz, desistiram do pedido de indemnização que tinham apresentado em tribunal contra um antigo administrador da instituição, Pedro Seixas Antão, e cujo julgamento se deveria ter iniciado na terça-feira.
(...)
Na origem dessas queixas e do pedido de indemnização de 75 mil euros, de que os demandantes agora desistiram, encontra-se o facto de Seixas Antão ter acusado Canto Moniz, num documento dirigido em 1996 ao então ministro Ferro Rodrigues, de gerir a fundação em seu proveito pessoal e de a desviar dos fins de solidariedade social para que foi criada.
(...)
O ex-administrador fez, porém, questão de sublinhar que a sua opinião sobre a gestão da fundação - que foi corroborada pelas conclusões de um relatório de Inspecção-Geral da Segurança Social elaborado em 2000 e arquivado em condições nunca esclarecidas sem ser submetido a despacho da tutela - não sofreu qualquer alteração.
(...)
O ex-administrador salientou que o facto de apenas manifestar o seu respeito pelos 'objectos sociais' da fundação 'significa o discordar em absoluto de toda a evolução que a fundação teve', após a sua saída, em 1995.
A Fundação D. Pedro IV tem sido objecto de uma acesa contestação promovida por moradores dos bairros sociais das Amendoeiras e dos Lóios, em Chelas, que viram as suas rendas serem aumentadas para 20 e 30 vezes mais depois de o Estado ter doado os prédios em que habitam àquela instituição.
O PÚBLICO tentou obter um comentário de Vasco Canto Moniz ao recuo da fundação no processo contra Seixas Antão, mas não foi possível obter resposta em tempo útil."
in jornal Público, 23/Jun/2006

quinta-feira, junho 22, 2006

Perfil do Psicopata

Os psicopatas são predadores humanos que usam dotes naturais como o encanto, o charme, a manipulação, a mentira, a intimidação e a violência, para controlar as outras pessoas e satisfazer as suas necessidades.
São pouco atreitos a nutrirem sentimentos e afectos por alguém ou mesmo a estarem conscientes de quem os rodeia.
Apossam-se do que querem, quebram compromissos de forma inexplicável, violam as normas sociais e as expectativas mais comuns, revelam uma permanente necessidade de estimulação e não exibem o mais pequeno sinal de culpa ou ressentimento em relação às suas vítimas.
Armando Ribeiro
(Membro da Comissão de Moradores)

quarta-feira, junho 21, 2006

A primeira batalha já está ganha!

Já é público o Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul que faltava ao moradores do Bairro das Amendoeiras. Este vai mais longe que os outros dois:

"As Instituições Particulares de Solariedade Social , como é o caso da Fundação D. Pedro IV , adquirem por efeito automático do respectivo registo , a natureza de pessoas colectivas de utilidade pública .
Não são entidades privadas , sem mais , mas , antes , pessoas colectivas privadas associadas à prossecução dos « objectivos de desenvolvimento global de que o Estado é o superior garante » .
No caso « sub judice » , o que está em causa é a aplicação do regime da renda apoiada aos fogos habitados pelos recorrentes , regime esse que não é de direito privado .
Daí ser competente , em razão da matéria, o Tribunal Administrativo e Fiscal , para conhecer de mérito do pedido , já que o acto que determina a aplicação de um regime da renda apoiada , previsto no DL nº 166/93 , é um acto administrativo , pelo que sindicável , perante aquele Tribunal , nos termos do artº 51º , 2 , do CPTA , e artº 1º e 4º , nº 1 , alínea d) , do ETAF."

Caro Sr. Dr. e Sr. Eng. lamento dizer-vos, mas não há hipótese para a vossa estratégia... Vai ser mesmo o tribunal administrativo a decidir tudo!

segunda-feira, junho 19, 2006

"Julgamento envolve a Fundação D. Pedro IV"

Hoje no jornal "Público":

"Arguido é um ex-administrador que acusou os seus pares de gerirem a instituição em proveito próprio e que tem um relatório oficial a seu favor"

"A gestão da Fundação D. Pedro IV, entidade privada a quem o Estado ofereceu 1400 fogos sociais nos bairros lisboetas das Amendoeiras e dos Lóios em 2005, vai estar no centro de um julgamento que amanhã se inicia no 5º Juízo Criminal de Lisboa. Em causa está a denúncia apresentada em 1996 ao então ministro da Solidariedade e Segurança Social, Ferro Rodrigues, por um dos administradores da instituição, Pedro Seixas Antão, que acusou o seu presidente, Vasco Canto Moniz, e outros dirigentes de gerirem a fundação em seu proveito pessoal e de a desviarem dos fins para que foi criada."

"A fundação e o seu presidente, representados pelo advogado Ricardo Sá Fernandes, têm juntado numerosa documentação ao processo - nomeadamente um parecer de Diogo Freitas do Amaral, segundo o qual a actividade da fundação não se desviou dos seus fins de solideriedade social-, e nos últimos dois anos tentaram, em vão, chegar a acordo com Pedro Seixas Antão para desistirem do processo."

"A posição do arguido foi entretanto reforçada com a anexação dos autos do relatório final do inquérito ordenado por Ferro Rodrigues, cujas conclusões, entregues no Verão de 2000 ao inspector-geral da Segurança Social, o então juiz José Manuel Simões de Almeida, confirmavam no essencial as suas denúncias e propunham mesmo a extinção da Fundação D. Pedro IV e a destituição dos seus corpos gerentes."

"Mário Lisboa remeteu então ao 5º Juízo Criminal uma cópia do relatório em causa, que Simões de Almeida prometera várias vezes mas nunca tinha mandado, e juntou-lhe o relatório de um outro inquérito efectuado em 2001 à mesma fundação. Contrariamente ao anterior, este último, feito em pouco mais de um mês, foi homologado em 2003 pela tutela, então assegurada por José Manuel Simões de Almeida - entretanto nomeado secretário de Estado pelo ministro Paulo Pedroso-, e conluía que, no essencial, tudo estava bem na Fundação D. Pedro IV."

in jornal Público, 19/Jun/2006

domingo, junho 18, 2006

Novo Horário da Loja do Inquilino

A Fundação D. Pedro IV anunciou hoje o seguinte:

A partir do próximo dia 19 de Junho a Loja do Inquilino localizada no Bairro das Amendoeiras, Marvila, passará a estar aberta ao público apenas às segundas, quartas e sextas entre as 14H00 e as 17H30.

Do que é eles estão a falar quando dizem "Loja do Inquilino"?? Deve ser do Bunker que instalaram no Bairro das Amendoeiras, com grades, porta blindada e câmaras de vigilância, que está sempre de porta fechada e com cortinas cerradas, onde um funcionário da dita instituição chamou a polícia das poucas vezes que alguns moradores pediram esclarecimentos em relação à renda apoiada e sobre todo o processo, onde a Fundação tentou esconder a documentação dos moradores das Amendoeiras, local que foi alvo de buscas judiciais por causa da dita documentação.

Este anúncio é caricato pois a Loja do Inquilino já se encontra literalmente fechada TODOS OS DIAS!

É isto que eles designam como "Loja do Inquilino"? Chamam a isto Solidariedade Social? É esta instituição uma I.P.S.S. de utilidade pública? Têm estes senhores perfil para gerir 1400 fogos?

sábado, junho 17, 2006

As Casas já estão pagas... parte 2!

Os cálculos do artigo anterior são um pouco simplistas...
A maneira correcta de os fazer é recorrendo à tabela que contem os coeficientes de desvalorização da moeda (publicados anualmente pelo Ministério das Finanças, portaria nº409/2006) e perceber quanto valeria a prestação de renda fixa nos dias de hoje, obtendo assim o valor actualizado face à desvalorização da moeda.
Basta multiplicar o valor de 12 prestações (1 ano) pelo respectivo coeficiente anual. Para o Lote 63 (1795$/mês ou 21540$/ano) obtemos os seguintes valores:

ANO Coeficiente Valor actualizado
1975 25,31 545.177,40 Esc.
1976 21,19 456.432,60 Esc.
1977 16,27 350.455,80 Esc.
1978 12,73 274.204,20 Esc.
1979 10,04 216.261,60 Esc.
1980 9,05 194.937,00 Esc.
1981 7,40 159.396,00 Esc.
1982 6,15 132.471,00 Esc.
1983 4,91 105.761,40 Esc.
1984 3,81 82.067,40 Esc.
1985 3,18 68.497,20 Esc.
1986 2,88 62.035,20 Esc.
1987 2,64 56.865,60 Esc.
1988 2,39 51.480,60 Esc.
1989 2,14 46.095,60 Esc.
1990 1,91 41.141,40 Esc.
1991 1,70 36.618,00 Esc.
1992 1,56 33.602,40 Esc.
1993 1,45 31.233,00 Esc.
1994 1,38 29.725,20 Esc.
1995 1,33 28.648,20 Esc.
1996 1,26 27.140,40 Esc.
1997 1,27 27.355,80 Esc.
1998 1,23 26.494,20 Esc.
1999 1,21 26.063,40 Esc.
2000 1,18 25.417,20 Esc.
2001 1,11 23.909,40 Esc.
2002 1,07 23.047,80 Esc.
2003 1,04 22.401,60 Esc.
2004 1,02 21.970,80 Esc.
2005 1,00 21.540,00 Esc.
TOTAL 3.248.447,40 Esc.

quinta-feira, junho 15, 2006

As Casas já estão pagas...

1 - Em 1978, um T3 no Lote 102, custou aproximadamente 700.000$00
2 - Um T3, de construção muito inferior, do Lote 63 paga uma prestação mensal de renda fixa de 1.795$00
3 - 2006 - 1974 = 32 anos
4 - 32 anos * 12 meses * 1795$ = 689.280$

terça-feira, junho 13, 2006

Responsabilidade das entidades públicas

"O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem."

<Artigo 22.º da Constituição da República Portuguesa>

domingo, junho 11, 2006

Bairro de Chelas com uma nova esperança

"Salão de festas cheio

Um mar de gente encheu ontem o salão de festas da igreja de Santa Beatriz, em Chelas. Atentos, os moradores das Amendoeiras escutaram aqueles que escolheram para os representar nesta luta. No final delegados dos vários lotes fizeram ouvir a sua voz para louvar o trabalho da comissão de moradores e mostrar a confiança depositada. O apelo à luta e à união foi também uma constante, sempre seguido de palmas e gritos de apoio. No final do encontro, Eugénia Margarida, mostrou esperança em que o novo auto de cessão ajude a resolver a situação dos habitantes do bairro."

Renasce a esperança nas Amendoeiras

"Os moradores começam a ver uma luz ao fundo do túnel no conflito com o senhorio"

"(...) Segundo as informações ontem prestadas na assembleia de moradores, o Governo pediu dois pareceres - um à Procuradoria-Geral da República e outro a um jurista independente - sobre o auto de cessão pelo qual o IGAPHE transferiu a propriedade dos bairros para a Fundação D. Pedro IV.
Ambos concluíram que o contrato não acautelou o interesse público, sendo ainda discutível se esse contrato pode ou não ser rescindido.
Entretanto, formou-se uma comissão (composta por dois moradores das Amendoeiras, dois dos Lóios, o presidente da Junta de Marvila, um representante da câmara, e um de cada partido com assento na Assembleia Municipal) que até final de Julho deverá apresentar um conjunto de propostas que alterem o tal contrato de cessão. (...)"

in jornal Público, 11/Junho/2006

sábado, junho 10, 2006

Câmara responde a Fundação D. Pedro IV

"Na sequência da notícia ontem avançada pelo DN sobre os bairros dos Lóios e das Amendoeiras e a sua reabilitação, o gabinete da vereadora Maria José Nogueira Pinto diz que a Fundação D. Pedro IV não apresentou nenhum projecto concreto quanto à reabilitação daqueles dois bairros. Ainda assim, a autarquia garante que está em fase de preparação a candidatura global ao programa Prohabita."

in Diário de Notícias, 10/Junho/2006

sexta-feira, junho 09, 2006

Hoje no Diário de Notícias

Saiu hoje no Diário de Notícias mais uma "notícia-propaganda" sobre a Fundação D. Pedro IV: "Senhorio admite prolongar período de transição de rendas".

quinta-feira, junho 08, 2006

O Sonho

Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não Chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos.

<Sebastião da Gama>

terça-feira, junho 06, 2006

Moradores 3 - Fundação 0

Já é público mais um Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul que diz o seguinte:

"Os Tribunais Administrativos são competentes para conhecer do pedido de suspensão da eficácia dos actos administrativos praticados pela Fundação D. Pedro IV, Instituição Particular de Solidariedade Social, a determinar a aplicação do regime de renda apoiada aos fogos que os requerentes habitam, ao abrigo do disposto no art.º 11º do Decreto-Lei n.º 166/93, de 7.5."

Acho muito interessante esta parte, principalmente vindo dum colectivo de juízes:
"Também só face a este escopo de natureza pública se compreende a cedência, sem qualquer contrapartida e sem sujeição às formalidades previstas na lei, de imóveis públicos, incluindo arruamentos, para instituições privadas (art.º 4º da Lei da Assembleia da República n.º 55-B/2004, de 30.12).
Caso contrário, teríamos, sob a cobertura de uma Lei do Orçamento, a rapina privada de bens públicos, descaradamente publicitada."

Quanto vale o negócio de Chelas?

O negócio com as casas de Chelas tem valores bem apetecíveis... vejamos:

Avaliação do património em 2002 (feita pela Câmara Municipal de Lisboa):
33.263.114,12€ (aproximadamente 6 milhões e 700 mil contos).

Rendas recebidas no ano de 2002, pelo IGAPHE:
304.188,83€ (aproximadamente 61 mil contos)

Valor que a Fundação receberia num ano com as novas rendas (Considerando uma média de aumentos de 5000%):
15.209.441,50€ (3 milhões de contos).

Em dois anos a Fundação D. Pedro IV tinha encaixado financeiramente, precisamente, o valor do património!

domingo, junho 04, 2006

"Castelos na Areia"

Foi publicado um artigo muito interessante pela Vanessa Cunha da Ordem dos Advogados, intitulado "Castelos na Areia". Aqui fica um excerto:

"A nossa casa é mais do que o tecto sob o qual dormimos. É o local onde queremos repousar, ouvir o silêncio dos nossos pensamentos ou a música dos risos de quem amamos.

Os ingleses dizem que a sua casa é o seu castelo, querendo com isso ilustrar que a intervenção de terceiros, inclusive do poder público, deve ser proibida ou, em casos excepcionais, severamente restringida.

Hoje, sabemos que outros valores podem permitir que os poderes públicos entrem nas nossas casas ou que proíbam certas actividades dentro das quatro paredes.

Mas, sabemos mais. Sabemos que os poderes públicos têm ainda o dever de garantir que cada um tenha a sua casa, ou, pelo menos, uma casa minimamente digna onde habite.

O Estado português a isso se obriga, por força dos instrumentos de Direito Internacional aos quais se vinculou; o Estado português reconhece, por força da incorporação de um direito à habitação no seu texto constitucional; o Estado português concretiza, através da sua actuação subordinada ao primado da lei; o Estado português subalterniza-o, consoante outras conveniências; o Estado português somos todos nós, cidadãos estrangeiros e apátridas."
Vanessa Cunha

sexta-feira, junho 02, 2006

Prestação de renda fixa

Existem algumas pessoas que nos chamam privilegiados por pagarmos um valor baixo de renda, mas não percebem ou não querem perceber o contexto de um problema grave que se arrasta há muitos anos!

Os moradores do Bairro das Amendoeiras, em Chelas, têm estes valores de renda, não porque são privilegiados ou porque foram protegidos por um regime especial... não! O que os moradores pagam, a chamada prestação mensal de renda fixa (que é agora realmente baixo, ninguém está a por isso em causa) tem um contexto. Esta renda FIXA foi calculada em 1974 segundo os custos de construção dos fogos e esse custo ao ser dividido em 300 prestações (25 anos), corresponde à prestação de renda fixa que sempre pagámos e que continuaremos a pagar.

Os moradores não andam a inventar... Há testemunhos passados oralmente, há testemunhos vivos, há documentação que prova isto! Durante estes anos todos eram os próprios funcionários e assistentes sociais do Fundo de Fomento de Habitação e depois IGAPHE que tranquilizavam as pessoas, dizendo que eles não podiam mexer nas rendas porque se tratava de uma renda fixa e que mais cedo ou mais tarde passariam as casas para os moradores.

Ora se a renda é fixa é porque tem um objectivo... e esse objectivo é a aquisição da propriedade pelos moradores (tenha isso custos ou não)! Além de que a soma das prestações já ultrapassou em muito o preço das casas (e aqui não estou a contabilizar o valor despendido pelos moradores em obras realizadas no fogos e nos espaços comuns).

Ninguém em Chelas defende que a renda deva ficar assim para sempre. Entre outras coisas, nós defendemos a propriedade das Casas!

AS CASAS JÁ SÃO NOSSAS!

quinta-feira, junho 01, 2006

Moradores 2 - Fundação 0

Numa das providências cautelares o tribunal já decidiu que "se fixa o efeito suspensivo", i.é, a Fundação D. Pedro IV não pode levantar a nova renda imposta.

Ainda há esperança na justiça!

terça-feira, maio 30, 2006

Moradores 1 - Fundação 0

Os tribunais são lentos mas acabam por decidir...

Já é público um Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul que dá razão aos moradores quanto à Jurisdição da Competência.

Ora parece que é mesmo o tribunal administrativo a decidir... e esta, hein?!

sábado, maio 27, 2006

Fundação à espera de 20 milhões

Saiu um artigo interessante no jornal Setúbal na rede, 20 milhões para habitação a custos reduzidos em Almada. Este artigo não é mais do que propanga por parte da Fundação, pois neste momento existe um litígio por causa de terrenos em Almada com a respectiva Câmara Municipal.

Gosto particularmente da parte:
"O assessor do presidente desta fundação acrescenta ainda que a instituição “não tem objectivos lucrativos” e que “todo o dinheiro ganho é para reinvestir na área do social”. Para a fundação trabalham “cerca de 300 pessoas, mas apenas 170 são da instituição”, sendo grande parte dos restantes trabalhadores “funcionários públicos”, conclui."

Pura propaganda e demagogia!!

quarta-feira, maio 24, 2006

Casa Pia paga carro a membros do Governo

Uma notícia desenterrada do jornal "O Independente" de 7 de Dezembro de 2001:
"O actual secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, José Manuel Simões de Almeida, utiliza uma viatura oficial que foi comprada e paga pela Casa Pia de Lisboa em 1998. Trata-se de um Lancia, modelo Libra, com a matrícula 09-90-IO. Este carro, considerado um topo de gama da Lancia, terá custado aos cofres da Casa Pia cerca de seis mil contos - actualmente custa 7750 -, e a sua compra foi justificada como sendo para estar ao serviço de um departamento que nem sequer estava activo mas pertence àquele instituto público tutelado pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade. O mais curioso é que o anterior utilizador da viatura foi Rui Cunha, ex-secretário de Estado da Inserção Social e actual secretário de Estado adjunto e dos Transportes. "

Simões de Almeida é o tal senhor que arquivou o relatório que aponta corrupção na Fundação D. Pedro IV e a sua extinção...

terça-feira, maio 23, 2006

Negrão queria dar 1,6 Milhões para a Fundação

"A Secretaria de Estado da Segurança Social decidiu não atribuir um subsídio de 1,6 milhões de euros à Fundação D. Pedro IV, que já tinha tido a aprovação de princípio do anterior ministro da Segurança Social, Fernando Negrão" in jornal Público, 20/Maio/2006

Habilitações Literárias: Licenciatura em Direito
Profissão: Juíz Direito
Cargos que desempenha: Deputado na X Legislatura.
Cargos exercidos:
-Deputado na IX Legislatura;
-Oficial da Força Aérea Portuguesa;
-Advogado;
-Juiz de Direito;
-Vogal do Conselho Superior da Magistratura;
-Director Geral da Polícia Judiciária;
-Juiz de Círculo;
-Magistrado judicial;
-Presidente do Conselho de Administração do Instituto da Droga e da Toxicodependência;
-Ministro da Segurança Social, da Familia e da Criança.
Condecorações e Louvores:
-Cruz do Mérito Policial com Distintivo Vermelho de Espanha (D.R. N.º 65. II Série de 11-03-2000)

sábado, maio 20, 2006

Mais Corrupção na Fundação D. Pedro IV

"Segurança Social Entregou Lar de Idosos a Fundação Cuja Extinção tinha sido proposta pela Inspecção Geral"

"Presidente da comissão instaladora da Casa Pia tinha ligações ao universo da polémica Fundação D. Pedro IV e tomou a iniciativa quando integrava a direcção do Instituto da Solideriedade e Segurança Social"

"Governo actual anulou subsídio de 1,6 milhões"

"Três meses depois de tomar conta da Mansão de Marvila, a fundação pediu um discutível subsídio governamental para obras. O Governo anterior preparava-se para concedê-lo, mas o actual decidiu de outra maneira"

"Constituição da Fundação terá sido "Viciada" "

"As explicações de Joaquina Medina"

"Antiga dirigente da Segurança Social reconhece que foi ela quem propôs a fundação e diz que o fez por esta ser gerida com "profissionalismo e sentido social" "

"Ex directora-geral esteve ilegalmente no conselho fiscal"

in Público, 20 de Maio de 2006

quinta-feira, maio 18, 2006

Alibis do Conformismo

"Como é que da política se chega à música e da música à consciência? Eu acho que as coisas podem estar ou não ligadas, depende do lado para onde estivermos virados. Mas o que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a procurar alibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado."

José Afonso

terça-feira, maio 16, 2006

Circular nº 13

ATENÇÃO!

Avisam-se todos os moradores que a Fundação D. Pedro IV em conjunto com o IGAPHE, por ordem do Eng. Santos Coração, andam no bairro a fazer um estudo dos prédios e a tentar mais uma vez entrar nas nossas casas, sem aviso prévio e sem se identificarem, o que é claramente ilegal.

Após o contacto directo com a Secretaria de Estado, que estranha muito esta atitude, a Comissão foi informada de que esta acção estava a ser feita sem o conhecimento e à revelia do próprio secretário de Estado.

O relatório que a Fundação e o IGAPHE estão a fazer em conjunto, muito provavelmente vai ser usado em tribunal contra os moradores. Devemos uma vez mais estar bem atentos ao que se passa no bairro e ao que estes senhores estão a tentar fazer.

VIVEMOS EM LIBERDADE E POR ISSO NINGUÉM É OBRIGADO A DEIXAR ENTRAR QUEM QUER QUE SEJA NAS SUAS CASAS.

P’la Comissão de Moradores
16/Maio/2006

segunda-feira, maio 15, 2006

Art. 37º - Liberdade de Expressão e Informação

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.

3. As infracções cometidas no exercício destes direitos ficam submetidas aos princípios gerais de direito criminal ou do ilícito de mera ordenação social, sendo a sua apreciação respectivamente da competência dos tribunais judiciais ou de entidade administrativa independente, nos termos da lei.

4. A todas as pessoas, singulares ou colectivas, é assegurado, em condições de igualdade e eficácia, o direito de resposta e de rectificação, bem como o direito a indemnização pelos danos sofridos.

sexta-feira, maio 12, 2006

Uns vão bem e outros mal

Senhoras e meus senhores,
façam roda por favor, cada um com o seu par
Aqui não há desamores, se é tudo trabalhador o baile vai começar
Senhoras e meus senhores,
batam certos os pézinhos, como bate este tambor
Não queremos cá opressores, se estivermos bem juntinhos,
Vai-se embora o mandador, Vai-se embora o mandador

(...)

De velhas casas vazias, palácios abandonados, os pobres fizeram lares
Mas agora todos os dias, os polícias bem armados desocupam os andares
Para que servem essas casas, a não ser para o senhorio viver da especulação
Quem governa faz tábua rasa, mas lamenta com fastio a crise da habitação
E assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal

Fausto, Madrugada dos Trapeiros, 1978

quarta-feira, maio 10, 2006

Art. 21º - Direito de resistência

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.

in Constituição da República Portuguesa

segunda-feira, maio 08, 2006

Há sempre alguém que diz NÃO!

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
(...)
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
(...)
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
(...)
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

terça-feira, maio 02, 2006

PROHABITA - Programa de Financiamento para Acesso à Habitação

O PROHABITA - Programa de Financiamento para Acesso à Habitação -, tem como objectivo resolver o problema não só de pessoas residentes em barracas ou casas abarracadas (como acontecia anteriormente), mas quaisquer situações de grave carência habitacional das famílias residentes no território nacional.

Criado no em 3 de Junho de 2004 através do Decreto Lei nº 135/2004, de 3 de Junho o PROHABITA visa em concreto as seguintes situações:

  • População residente em barracas;
  • População residente em edificações sem condições de habitabilidade;
  • População residente em edifícios degradados e cuja reabilitação seja inviável;
  • Situação de sobreocupação dos alojamentos;
  • Realojamentos provisórios ou definitivos no âmbito de operações municipais de reabilitação urbana;
  • Realojamentos decorrentes de situações de calamidade pública, intempéries ou outros desastres naturais.

O PROHABITA é concretizado através da celebração de Acordos de Colaboração entre:

  • O INH e os Municípios;
  • O INH e as Regiões Autónomas.

Podem beneficiar dos apoios previstos no PROHABITA, as seguintes entidades:

  • As Regiões Autónomas;
  • Os Municípios;
  • Os Institutos Públicos e as entidades públicas empresariais de capitais exclusivamente públicos, com atribuições no âmbito territorial das Regiões Autónomas e competências para a promoção e gestão de habitação social;
  • As empresas públicas municipais;
  • As Instituições Particulares de Solidariedade Social;
  • As Pessoas Colectivas de utilidade Pública Administrativa que prossigam fins assistenciais;
  • As Instituições Privadas sem fins lucrativos;
  • As Cooperativas de Habitação e Construção com experiência e capacidade na promoção de habitação de custos controlados.

As candidaturas são apreciadas pelo INH e, caso mereçam o seu parecer favorável, sujeitas a aprovação do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação.

sábado, abril 29, 2006

O que é um Freguês?

Freguês: s.m. (lat. filius ecclesiae). Habitante de uma freguesia. Paroquiano. Avençal. Aquele que compra ou vende a uma determinada pessoa. Cliente. Por ext. Aquele que frequenta habitualmente um certo lugar: é freguês da Avenida. Pop. Deprec. Marau, súcio.

in Dicionário Lello Prático Ilustrado

sexta-feira, abril 28, 2006

Manifestação do 25 de Abril

Esta é uma das muitas fotografias tiradas à manifestação dos Bairros dos Lóios e Amendoeiras no cortejo de 25 de Abril...

Foto de Paulete Matos

terça-feira, abril 25, 2006

25 Abril: Manifestação em Lisboa aproveitada para contestação laboral e social

Extracto da notícia da Lusa:

"(...) Centenas de moradores da zona de Chelas aproveitaram também a ocasião para se manifestar contra a actualização de rendas que está a ser imposta pela Fundação Dom Pedro IV, actual gestora das casas sociais nos bairros dos Lóios e Amendoeiras.

Esses moradores começaram a manifestar-se ainda antes do desfile, considerando-se "roubados pelos inimigos de Abril" e empunharam faixas e cartazes com palavras de ordem: "Não pagamos", "Chelas unida jamais será vencida" ou "Chelas infeliz com gesto de Canto Moniz", referindo-se ao presidente da Fundação.

Ao som de bombos, os moradores entoaram ainda palavras de ordem como "corrupção na habitação pelas mãos da Fundação" ou "Património doado deve voltar ao Estado", que era quem anteriormente geria as moradias.

AH/HSF.

Lusa/Fim"

segunda-feira, abril 24, 2006

Bairros dos Lóios e das Amendoeiras juntos por Abril

A Comissão de Moradores do IGAPHE do Bairro das Amendoeiras, a Comissão de Inquilinos do Bairro dos Lóios e a Associação Tempo de Mudar para o Desenvolvimento do Bairro dos Lóios, vão participar no Cortejo inserido nas comemorações do 32º aniversário do 25 de Abril.

Os moradores dos fogos doados gratuitamente pelo Estado à Fundação D. Pedro IV, vão exigir o respeito pelo Direito à Habitação, consagrado na Lei fundamental da República – a Constituição!

A participação dos Bairros das Amendoeiras e dos Lóios terá como princípio não desvirtuar o espírito do Cortejo das celebrações, pelo que irá adequar a sua presença dentro dos direitos e das conquistas alcançadas com a Revolução de Abril de 1974 e que, por alguns, como é o caso da Fundação D. Pedro IV querem pôr em causa.

Os moradores dos Bairros das Amendoeiras e dos Lóios irão, pois, manifestar-se:
  • Contra a prepotência, a chantagem e o terrorismo social da Fundação D. Pedro IV;
  • Contra o ilegal aumento brutal e abrupto das rendas;
  • Pelo retorno ao Estado do património doado;
  • Pela alteração do Decreto-Lei n.º 166/93;
  • Pela extinção da Fundação D. Pedro IV;
  • Pela manutenção das liberdades, dos direitos e das garantias que, com Abril, foram conquistadas.

quinta-feira, abril 20, 2006

Manifestação chegou a juntar mais de 500 pessoas

"Manifestação chegou a juntar mais de 500 pessoas em frente à secretaria de Estado do Ambiente, na apertada Rua do Século"

in Jornal de Notícias, 20 de Abril de 2006

Jornal de Notícias: Governo promete solução para os bairros de Chelas

"Os moradores dos bairros dos Lóios e Amendoeiras, em Chelas, Lisboa - que ontem se manifestaram ruidosamente à porta da Secretaria de Estado do Ambiente, do Ordenamento, do Território e das Cidades, para contestar o aumento de rendas - abandonaram o protesto com a garantia de que o problema será resolvido durante o mês de Maio.

Gabriela Freitas, chefe do gabinete do secretário de Estado, terá dito a uma delegação de moradores, acolhida nas instalações, que o dossiê está a ser estudado para que seja "encontrada uma solução com fundamentos, sem pés de barro". Até lá, continuou a responsável, a Secretaria aguarda o parecer de uma entidade que foi chamada a pronunciar-se sobre o assunto.

"Corrupção na habitação, pelas mãos da Fundação", "Chelas unida, jamais será vencida", ou ainda "Património mal doado, deve voltar ao Estado", foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos moradores ou exibidas em cartazes, alguns com letras garrafais, numa manifestação que chegou a juntar cerca de 500 pessoas. Prometem voltar aos protestos no dia 25 de Abril.

Em causa está o aumento das rendas nestes dois bairros da zona oriental de Lisboa, provocados pela transferência de 1400 fogos do organismo estatal IGAPHE para a Fundação D. Pedro IV. Um aumento que consideram "brutal" e que mexe com a vida de cerca de cinco mil pessoas, muitas de parcos recursos.

Câmara será "mediadora"

Os moradores entregaram uma moção na Secretaria de Estado onde exigem, entre outras matérias, que a gestão dos bairros volte ao Estado, a reabilitação do edificado com análise prévia do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, a extinção da Fundação D. Pedro IV. Pretendem ainda a possibilidade de aquisição das casas ou mesmo o título de propriedade para rendas pagas durante 30 anos. Entretanto, a vereadora Maria José Nogueira Pinto, que tutela o pelouro da Habitação Social na Câmara Municipal de Lisboa, revelou que vai reunir-se, amanhã, com o secretário de Estado do Turismo para abordar a questão dos bairros dos Lóios e Amendoeiras.

Maria José Nogueira Pinto adiantou que vai entregar ao Governo um documento onde são identificadas "um conjunto de incorrecções e irregularidades" no âmbito da polémica transferência destas habitações para a Fundação D. Pedro IV.

Embora o assunto não diga directamente respeito à autarquia, a vereadora aceitou assumir o papel de "mediadora" na resolução deste problema, que tanto tem revoltados os moradores."


in Jornal de Notícias, 20/Abril/2006

quarta-feira, abril 19, 2006

Governo assume compromisso público com os moradores de Chelas

A Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, recebeu hoje, dia 19 de Abril, a Comissão de Moradores do IGAPHE do Bairro das Amendoeiras e a Associação Tempo de Mudar para o Desenvolvimento do Bairro dos Lóios em representação dos mais de 1000 moradores que se concentraram na Rua do Século.

Os moradores, recebidos pela Chefe de Gabinete, Eng. Gabriela Freitas, entregaram, uma moção onde exigem que a gestão dos 1400 fogos doados à Fundação D. Pedro IV volte a ser tutelada pelo Estado, já que a Fundação não apresenta perfil para gerir o património em questão, o seu comportamento pauta-se por violações constantes às leis de um Estado de Direito e Democrático e a sua gestão apresenta graves irregularidades, tendo sido a sua extinção pedida no ano de 2000.

O Governo assumiu publicamente com os moradores o compromisso de apresentar uma solução até ao final de Maio do corrente ano que vá de encontro às expectativas dos moradores.

Moradores do Bairro das Amendoeiras - Chelas, EXIGEM

  • Património mal doado, tem que voltar imediatamente ao Estado

  • A propriedade das suas Casas, que foram pagas em 25 anos de prestações de renda fixa e inalterável

  • Que se cumpram os acordos celebrados com o Estado, em 1974

  • Que a Constituição seja cumprida e respeitada

  • Serem tratados com Dignidade e Respeito, segundo as leis do Estado de Direito Democrático e Livre

  • Canto Moniz, Políticos Corruptos e Amigos Ladrões que sejam Julgados e Punidos exemplarmente

  • Extinção imediata da Fundação D. Pedro IV

  • Do Governo, a obrigação de combater esta Corrupção e este favorecimento político

Moradores denunciam Corrupção na Habitação

  • Presidente da Fundação D. Pedro IV desde 1993, Eng. Vasco Canto Moniz foi Director da Habitação do Fundo de Fomento da Habitação/IGAPHE, até 1990

  • Vasco Canto Moniz foi expulso do IGAPHE com processo disciplinar por lesar o Estado e desviar fundos para proveito próprio

  • Relatório que prova corrupção e burlas na Fundação D. Pedro IV de 1993 a 2000 e que pedia a extinção da Fundação foi arquivado por políticos e juízes em 2003

  • Após isto, em 2005, Canto Moniz e Fundação D. Pedro IV recebem gratuitamente do Estado, 1400 casas

  • Fundação aumenta imediatamente em 3000% a 4000% as rendas dos Bairros das Amendoeiras e dos Loios em Chelas

  • Fundação actua com Terrorismo Social e Psicológico e demonstra falta de perfil e capacidade para gerir o património e para lidar com seres Humanos

quarta-feira, abril 12, 2006

O Bairro dos Lóios e a Fundação D. Pedro IV

"Relativamente a notícias divulgadas na semana passada na imprensa, nas qualidades de membro fundador e dos órgãos sociais da Associação Tempo de Mudar para o Desenvolvimento do Bairro dos Lóios, em Marvila, Lisboa, deixo, aqui, as seguintes informações e comentários:
Este edificado, construído nos finais da década de 70 e inícios da de 80, apresenta, para os fins a que se destinava - o realojamento -, graves erros de concepção arquitectónica e uma péssima construção. A responsabilidade pelos factos acima descritos foi do ex- Fundo de Fomento da Habitação (FFH). Com a extinção do organismo acima aludido, este património foi "herdado" pelo Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE) . Apesar da construção muito deficiente, este último instituto público, durante cerca de duas décadas, nunca fez uma intervenção séria e/ou adequada no referido edificado. A sua preocupação foi a de, no caso do Bairro dos Lóios, alienar algumas fracções. Alguns dos compradores, na altura, não devem ter tido em conta que, para além da fracção que habitavam, teriam de um dia comparticipar nas obras vultosas de recuperação dos espaços comuns, coberturas, elevadores e outros componentes dos edifícios.
O ponto de vista da Associação Tempo de Mudar foi, desde sua criação (a 18-11-1998), a de que o Estado deveria responsabilizar-se sobre aquilo que desenhou mal e construiu ainda pior. Precisando: deveria encomendar um estudo, designadamente, ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), no sentido da identificação das patologias da construção e, posteriormente, fazer uma análise de custo/benefício para verificar se valeria a pena fazer a reabilitação dos edifícios ou se seria mais económico proceder à sua reconstrução. Este foi o caminho que alguns países europeus, nomeadamente a França, encontraram para o mesmo tipo de construção.
Todavia, o Estado resolveu optar por persistir na sua atitude irresponsável (ignorar os problemas estruturais e de segurança dos moradores), doando os imóveis em causa a uma fundação, durante o período de gestão do Governo do dr. Pedro Santana Lopes.
A instituição escolhida, entre outras candidatas, foi a Fundação D. Pedro IV, que, para efeitos dos cálculos das novas rendas, considerou que os prédios e as suas fracções autónomas estavam em bom estado e, deste modo, aplicou o coeficiente máximo previsto no Decreto-Lei n.º 166/93. No caso do Bairro dos Lóios, os ditos aumentos chegaram, nalguns casos, a atingir os 15.500 por cento.
Entretanto, sabemos e podemos ler hoje nos órgãos de comunicação social que a fundação, que recebeu gratuitamente todo este património do Estado (mais de 1400 fogos de habitação nos Bairros das Amendoeiras e dos Lóios, em Marvila), pretende ainda utilizar o dinheiro público para fazer a reabilitação deste património.

Termino com apenas duas questões e uma sugestão: por acaso não querem mais nada? Depois do enorme artigo publicado há uma semana no jornal PÚBLICO, de que estarão à espera o nosso Governo e/ou as nossas autoridades para agirem? Este edificado deveria regressar à posse do Estado, ser devidamente reabilitado e posto à venda aos inquilinos interessados. O encaixe financeiro realizado pelo Estado compensaria, certamente, o investimento feito na recuperação destes edifícios, situados numa zona com uma situação magnífica na cidade de Lisboa.

Eduardo Gaspar
Lisboa"

PÚBLICO - EDIÇÃO IMPRESSA - LOCAL LISBOA
Director: José Manuel Fernandes
Directores-adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 5859 | Quarta, 12 de Abril de 2006

sábado, abril 01, 2006

O mistério de um arquivamento

"De acordo com os registos informáticos que se encontram entre os documentos consultados pelo PÚBLICO na IGSS, o processo em que - além do subinspector-geral e procurador da República Rui Cavaco - trabalharam vários altos quadros daquele organismo entre 1996 e 2000 foi entregue em mão a Simões de Almeida seis dias depois da conclusão do seu relatório final.
Depois disso não há nota de qualquer outro movimento do processo, não tendo o relatório sido sequer enviado à fundação para esta exercer o direito do contraditório.
Ao que tudo indica, o processo saiu do gabinete de Simões de Almeida para o arquivo sem o imprescindível despacho de arquivamento, e só em 2003, quando o seu sucessor o mandou procurar para explicar a situação ao tribunal (ver texto principal) é que ele próprio despachou o seu arquivamento sem qualquer conclusão.
Um ano depois, a Fundação D. Pedro IV conseguiu que o Governo de Santana Lopes lhe entregasse a gestão da Mansão de Marvila, um dos maiores equipamentos da segurança social, que alberga quase duas centenas de idosos e jovens em risco e possui mais de 150 funcionários públicos ao seu serviço. Quase em simultâneo, no Verão de 2004, o IGAPHE decidiu entregar gratuitamente àquela instituição os 1469 fogos dos bairros sociais das Amendoeiras e dos Lóios, também em Lisboa.
No fim do ano passado, os inquilinos destes bairros de Chelas foram surpreendidos com a exigência de aumentos de rendas considerados incomportáveis por muitos deles e que chegavam a ultrapassar os 2000 por cento.
O presidente da fundação agora senhoria, Canto Moniz, foi director regional do IGAPHE até 1990, e um dos vogais da sua administração, Jorge Cunha Pires, foi seu subordinado naquele instituto público. Para além destes dois engenheiros, a administração da instituição conta com Carlos Blanco de Morais, que é o principal consultor jurídico do actual Presidente da República, e ainda com Fritz Feldmann e Rui Pinheiro Gomes. J.A.C."

PÚBLICO - EDIÇÃO IMPRESSA - LOCAL LISBOA
Director: José Manuel Fernandes
Directores-adjuntos: Nuno Pacheco e Manuel Carvalho
POL nº 5849 | Sábado, 1 de Abril de 2006

Um documento arrasador

"Constata-se que a fundação tem vindo a ser gerida por pessoas que não desenvolvem actividades tendentes a concretizar os seus fins, desenvolvendo antes outras actividades que nada têm a ver com os mesmos, das quais retiram proveitos pessoais." Esta é uma das conclusões do relatório final do inquérito à Fundação D. Pedro IV que foi ignorado em 2000, em benefício de um outro mandado fazer depois e que considerou estar tudo bem na instituição.
Instruído com intervenção directa de um magistrado do Ministério Público que então desempenhava as funções de subinspector-geral e deixou o cargo inesperadamente, o relatório inclui uma auditoria financeira e numerosos autos de declarações de antigos dirigentes, além de funcionários e até dois empreiteiros. Ambos dizem que ficaram credores de milhares de contos que nunca lhes foram pagos por trabalhos efectuados em edifícios da fundação e em casas particulares de Vasco Canto Moniz. Os dois construtores trabalhavam
também para o IGAPHE à época em que aquele engenheiro dirigia os seus serviços regionais de Lisboa e alegam que algumas das obras feitas para a fundação eram pagas através de sobrefacturação ao IGAPHE. Antes de propor que seja pedida a "destituição judicial" dos corpos gerentes e/ou a extinção da fundação, o relatório diz que "urge pôr cobro" a uma
situação "que repugna num Estado de direito democrático, principalmente pelo desvirtuar de todos os princípios de solidariedade subjacentes".
Outra conclusão é a de que "não houve qualquer vantagem social" na transformação em fundação da antiga SCAIL, herdeira de uma instituição criada por D. Pedro IV. "Ao contrário, verifica-se que a situação foi aproveitada por alguns membros do conselho de administração em proveito próprio." O texto sustenta que os associados da SCAIL e o Estado "foram enganados pelos responsáveis da fundação" e que a criação desta "parece ter visado apenas impedir a alternância democrática na gestão [da SCAIL] decorrente dos actos eleitorais regulares, permitindo a eternização de alguns elementos à frente da instituição".
O documento defende que a ligação da fundação a uma empresa e a uma rede de cooperativas de habitação, onde os seus administradores ocupam lugares de direcção remunerados e que funcionam na sede da instituição, desvirtua os seus fins estatutários.
Desde a transformação da SCAIL em Fundação D. Pedro IV, a instituição recebeu da Misericórdia de Lisboa subsídios anuais entre os 100 e os 200 mil contos para as sete creches e jardins-de-infância que tem em Lisboa com 750 utentes. Pelos corpos sociais da fundação, principalmente pelos conselhos social e consultivo, que a IGSS diz nunca terem tido qualquer actividade, têm passado numerosas figuras com ligações à política e particularmente ao PSD e ao CDS, tais como Bagão Felix, Alarcão Troni, Arlindo Donário (antigo adjunto de Cavaco Silva no Governo) e Carlos Blanco de Morais, bem como magistrados e oficiais generais reformados. Um destes, o falecido general Themudo Barata, declarou à IGSS que se demitiu das suas funções depois de Canto Moniz o ter aliciado para facilitar um negócio imobiliário da fundação com terceiros, a troco de dezenas de milhar de contos para Sociedade de Histórica da Independência de Portugal, de que aquele militar era presidente. J.A.C."

PÚBLICO - EDIÇÃO IMPRESSA - LOCAL LISBOA
Director: José Manuel Fernandes
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POL nº 5849 | Sábado, 1 de Abril de 2006

hoje no Público: Ex-secretário de Estado ignorou proposta de extinção da Fundação D.Pedro IV

Ex-secretário de Estado ignorou proposta de extinção da Fundação D.Pedro IV

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Pequeno Relato da Situação dos Moradores do IGAPHE do Bairro de Chelas Zona I

Antes de 25 Abril de 1974, o então existente Fundo Fomento de Habitação, iniciou a construção de diversos fogos, cerca de 923, para habitação social no Bairro de Chelas, freguesia de Marvila, Concelho de Lisboa, denominado como "Bairro de casas económicas de Chelas". Logo após o 25 de Abril e até 10 de Maio de 1974, quinhentos e setenta e cinco desses fogos foram ocupados por moradores e posteriormente, no decorrer dos anos 1974 e 1975, foram ocupados mais trezentos e oitenta e nove fogos, legalizados pelo D.L. no 198-A/75, de 14 de Abril e pelo D.L. no 294/77, de 20 de Julho.

A chamada renda fixa praticada pelo F.F.H. e pelo C.N.P. em 1974 e que se prolongou pelos anos seguintes, era calculada por uma fórmula que levava em conta os custos da obra, terrenos, materiais, custos de investimento, honorários, etc..., o qual se dividia por 300 meses (25 anos), obtendo um valor denominado por "renda fixa". É uma renda destinada a pagar a habitação durante vários anos, daí não sofrer alterações. Assim era a prática do F.F.H. na altura e terá sido o praticado no bairro de Chelas à luz de outros bairros, como o de Mira Sintra.

Para além de todas estas considerações, foi acordado entre os interessados que comparticiparam na construção dos fogos, F.F.H, C.N.P., A.G.P.L., SONAP, P.S.P. e Gulbenkian, que a renda seria fixa. O Estado deu o seu aval, numa reunião onde estavam presentes: Um representante do M.F.A., Capitão Santos Silva, o Secretário de Estado da Habitação, Arqto Nuno Portas e um representante da Comissão de Moradores.

O valor da renda seria mesmo fixado por um despacho da Secretaria de Estado da Habitação e Urbanismo, datado de 12 de Agosto de 1974 (valor praticado sem alterações ao longo de 30 anos).

Aquando da "segunda leva" de ocupações é nomeada uma comissão, com representantes dos moradores, para averiguar a situação criada pela ocupação do Bairro de Chelas (despacho de 25/03/1976), tendo-se averiguado que a portaria nº 387/77, não favorecia os moradores e que as rendas seguiriam os moldes daquelas já praticadas no bairro.

Efectivamente, foi sempre prometido aos moradores, pelos responsáveis políticos da época, que iriam pagar as referidas rendas técnicas, por serem calculadas de acordo com o custo de construção do fogo, durante vinte e cinco anos e que depois as habitações seriam suas, tal como o praticado no bairro de Mira-Sintra e no bairro Gulbenkian, em Vila Franca de Xira.

De facto, as habitações terão sido atribuídas aos moradores em regime de propriedade resolúvel. Note-se que existiam, à época, fundamentalmente duas modalidades de habitações, ou em regime de propriedade resolúvel ou em regime de arrendamento, com actualizações de rendas só permitidas nos termos do arto 21o, do D.L. no 49033, de 28 de Maio de 1969. Era prática do F.F.H. atribuir os referidos fogos em regime de propriedade resolúvel por simples contrato. E assim sucedia ainda quando os respectivos prédios ainda não estavam em regime de propriedade horizontal ou sequer descritos na respectiva Conservatória do Registo Predial (exemplo do bairro de Mira-Sintra), pagando os moradores uma renda fixa até a efectivação do respectivo contrato de propriedade resolúvel (arrendamento resolúvel).

No caso do Bairro de Chelas, o registo dos fogos nas Finanças só terá sido efectuado em 1996. Durante todos esses anos e até 2004, os funcionários diziam sempre aos moradores que “mais cedo ou mais tarde” as casas acabariam por ser entregues e que “só ainda não tinha acontecido por haver problemas com os terrenos”. Mesmo em 2004, terá sido efectuada, por alguns funcionários do IGAPHE, a simulação da alienação das habitações a alguns moradores e apresentado um custo que visaria a variação da taxa de inflação desde 1974.

A partir dos anos 80, o IGAPHE iniciou a alienação do património em quase todo o país e assim acontecia quando o património era cedido aos municípios e freguesias. Aliás, só assim faria sentido a autorização do IGAPHE para que os moradores efectuassem obras de manutenção e melhoramento não só das habitações, bem como dos espaços comuns, sem que isso apresentasse custos presentes ou futuros para o IGAPHE.

Em 2003/2004 é decidida a extinção do IGAPHE, passando o Instituto Nacional da Habitação a tutelar todos os assuntos relacionados com a habitação do Estado. Em 2004, é anunciada a alienação do resto do património do IGAPHE aos Municípios, Juntas de Freguesia, etc.... Em Março de 2004, é discutida a passagem do património para a C.M.L. em Assembleia Municipal, tendo sido a passagem rejeitada pela oposição devido à apresentação de um relatório possivelmente falseado que apontava o bairro como um “presente envenenado”. É de estranhar que nesta reunião a Vereadora da Habitação, Helena Lopes da Costa, referencie já o nome da Fundação D. Pedro IV.

O referido património é então cedido “gratuitamente” ao abrigo da Lei no 55-B/2004, de 30 de Dezembro, numa lei do orçamento do estado rectificativo e quando a Assembleia só tinha poderes administrativos. A dita transferência é efectuada para a Fundação D. Pedro IV, a 1 de Fevereiro de 2005, sendo apenas os moradores informados do “facto consumado”.


No final do mês de Agosto, a Fundação D. Pedro IV efectua inquéritos porta a porta, onde dizem que é apenas para a actualização dos processos e onde pedem às pessoas que mostrem as suas declarações de rendimentos, recibos de ordenado, escrituras de bens que possam possuir e que lhes seja dado acesso a fotografar o interior das habitações.

Neste dito processo e num ambiente intimidatório, tentam coagir as pessoas a assinar uma declaração de honra onde se inclui, nas entrelinhas, uma aceitação do regime de renda apoiada.

Desde essa data que os serviços da Fundação D. Pedro IV ameaçam alguns moradores ora com aumentos de renda ora com ameaças de retirada de determinada habitação para a atribuição de outra habitação de tipologia inferior.

Após várias deslocações e pedidos reiterados dos moradores a fim de consultar os processos, com especial atenção para os documentos que assinaram com o F.F.H. a fim de comprovarem que é ilegal qualquer aumento de renda, sempre em vão, os moradores organizaram-se e formaram uma comissão de moradores a fim de poderem lidar com o problema e serem representados legalmente por um advogado.

Como primeira medida, o advogado da comissão interpôs uma providência cautelar a fim da Fundação D. Pedro IV ser obrigada a apresentar os referidos documentos, já que a fundação estava na posse dos processos individuais dos moradores, desde 1 de Fevereiro de 2005.

A 10 de Outubro de 2005, a Fundação D. Pedro IV anuncia publicamente na imprensa, a aplicação do regime de renda apoiada, a vigorar a partir de 1 de Janeiro de 2006.

A 17 de Outubro de 2005, a Fundação D. Pedro IV, convida por “sorteio”, dois a três moradores por lote a fim de comparecerem numa sessão de esclarecimento sobre a renda apoiada e sobre a inexistência de contratos escritos. Os “sorteados” são na sua maioria reformados, analfabetos, idosos com escolaridade reduzida e inclusive deficientes visuais e motores.

O advogado dos moradores tentou assistir à dita reunião, munindo-se de procurações legais em representação de alguns moradores convidados, tendo sido a entrada barrada por ordem do Presidente da Fundação, Engo Vasco Canto Moniz. Foi requisitada a intervenção da P.S.P. à qual foi barrado também qualquer tipo de acesso, tendo sido apresentada a respectiva queixa-crime.

Nessa sessão de esclarecimento, o Eng. Vasco Canto Moniz, que foi Director da Habitação do IGAPHE em anos anteriores, fornece aos presentes um pressuposto contrato de arrendamento (dando a entender que os moradores de Chelas se encontrariam na mesma situação), contrato esse, e após análise cuidada, que terá sido falsificado e alvo de uma montagem.

Por ordem da Juíza, datada de 21 de Outubro de 2005, foi efectuada a 28 de Outubro o arrolamento dos processos de alguns moradores, chegando-se à conclusão da inexistência de qualquer tipo de contrato escrito.

Na semana seguinte e por insistência da comissão de moradores, é facultado pelo IGAPHE, o acesso aos processos gerais do bairro (que estão ainda na posse do IGAPHE) e de onde terá desaparecido documentação esclarecedora do regime de atribuição das habitações, sendo dada a informação pela Dra. Fernanda Marques que se trataria de um arrendamento social, igual aos praticados nos dias de hoje.

Em conversação telefónica com o Presidente do IGAPHE, Dr. João Paulo Zbyszewski, foi comunicado à comissão de moradores que em 2003/2004 estava planeada a alienação do património aos moradores e que esta teria sido cancelada por “ordens do Governo de então”, tendo sido o próprio presidente do IGAPHE contra a passagem do património para a Fundação, intenção essa expressa num comunicado interno.

Foi-nos dito ainda pelo Dr. João Zbysewski, que o próprio concurso de atribuição teria sido contestado por outro concorrente, a Cooperativa Voz do Operário.

Neste processo todo, os moradores lesados e enganados pelo IGAPHE, estão agora mergulhados num clima de instabilidade e terror, provocado por uma fundação dita de solidariedade social e pelo seu presidente, clima esse preconizado por um autismo desmesurado, por ameaças públicas e actos de má-fé, tendo causado um grande desgaste e danos morais a mais de 900 famílias. Como expoente máximo desse terror, sucumbiram já de ataque cardíaco cinco moradores. Um destes moradores, era um testemunho vivo do bairro, já que foi ele o representante da comissão durante 5 anos (1975-1980) e que terá negociado pessoalmente com os políticos de então todo o processo de legalização e atribuição das habitações.

Sucumbiu mergulhado em documentação, de certeza que à procura da “luz” que resolvesse e provasse a veracidade da nossa situação.

A Fundação já começou a enviar cartas aos moradores, com os novos valores de renda a aplicar, a partir de 01 de Janeiro de 2006, os quais se situam na ordem dos 300€/400€, traduzindo-se em aumentos efectivos de mais de 3000%, com as ameaças habituais de que quem não pagar terá ordem de despejo. Prepararam também declarações para serem assinadas pelos moradores mais temerosos para que os mesmos concordem com os valores da tal renda apoiada mas que são uma verdadeira armadilha, já que estas declarações assinadas poderão ter o efeito de um contrato.

Só os forasteiros e oportunistas, com conivência de políticos menos sérios, podem enriquecer desta forma no nosso País, desrespeitando tudo e todos.

De todas as afirmações proferidas neste relato, existem documentos.

Por favor, ajude-nos a divulgar os atropelos e as graves violações das liberdades e garantias defendidas pela Constituição da República Portuguesa!!!

O meu muito obrigado em nome de todos os moradores.

segunda-feira, setembro 26, 2005

À Fundação D. Pedro IV

Carta enviada por Vitor Rolo à Fundação D. Pedro IV a 26 de Setembro:

Exmos. Senhores

Em resposta às vossas cartas, tenho a informar que a minha documentação com validade para a casa onde habito encontra-se agora nas mãos de V.Exas.

A casa onde moro foi-me atribuída depois de ter sido feito inquérito pelo Fundo de Fomento de Habitação às condições do meu agregado familiar, económicas, número de pessoas, total dos rendimentos e o tipo de casa que seria atribuída.

A casa foi-me atribuída para ser paga em 25 anos e para ficar a morar nela para sempre, e a minha família depois da minha morte.

Os senhores sabem perfeitamente que é verdade o que digo.

Devido às condições modestas em que sempre tenho vivido, eu e a minha família, que apenas vivemos do produto do nosso trabalho, esta casa tornou-se a única garantia da nossa estabilidade e o sentido principal da minha vida.

Lutarei enquanto tiver forças para que não me tirem aquilo que hoje é o sentido principal da minha vida.

Aproveito para pedir a V.Exas. que acelerem o processo de entrega da minha casa e das casas aos moradores que estão nas mesmas condições que eu, o que já deveria ter sido feito há muito tempo, é uma obrigação que V.Exas. herdaram quando receberam do Estado a propriedade em questão.

Será para todos a melhor solução; para quem recebe alguns milhões de euros e recebe também a paz e os moradores vêem concretizados o que esperam há vários anos, uma vez que já pagaram as casas onde moram e têm a seu custo evitado a degradação dos edifícios.

As ameaças, o oportunismo, a falta de lisura, a falta de honestidade, o roubo, geram a guerra.

Só os estúpidos querem a guerra, e nós, os moradores que já pagaram as casas não querem a guerra.

Atenciosamente

Vítor Manuel Pinhão Rolo

terça-feira, setembro 06, 2005

Para que se saiba

Apelo manuscrito por Vitor Rolo a 6 de Setembro, o qual transcrevo na íntegra:

ATENÇÃO
É urgente que a Fundação D.Pedro IV, a quem foi oferecido património do estado, que não pode ser proprietária do património de milhares de famílias que para além de já terem pago as casas onde residem, uma vez que se trata de habitação social e a renda ter sido calculada pelo custo final das habitações, têm um contrato com o estado em que as rendas são fixas, e as casas que lhes foram distribuídas só voltarão para o estado, após a morte de todos os elementos do agregado familiar na altura da atribuição.

Sob ameaça, estão a ser levadas a assinar o que representa abdicar de todos os direitos que actualmente são possuidores, no ponto de vista da Fundação D.Pedro IV.

Há que repôr a seriedade neste assunto tão sensível como este que arrasta para milhares de famílias sobressaltos que muitas vezes são fatais.
Há moradores desta altura da distribuição das casas, que já são proprietários das suas habitações ou porque já passaram 25 anos, ou porque lhes foram vendidas como habitação social.

É urgente suspender a invasão desumana da privacidade das famílias, que pelo facto de serem na sua grande maioria, pobres, humildes, que vivem de baixos rendimentos (a grande maioria dos moradores), não podem nem devem ser tratados como criminosos ou como gado a que se terá de o instalar no estábulo adequado.

Mais uma vez afirma-se: Há que repor a seriedade neste assunto!!!

Acabe-se com as ameaças!

Acabe-se com as invasões ilegais!

Portugal ainda não vive como nos tempos do "Al Capone"!
Vitor Rolo

terça-feira, agosto 30, 2005

Um Breve Comentário

Texto publicado e distribuído em papel pelo saudoso Vitor Rolo em Agosto de 2005 que deu início ao renascimento da Fénix, o qual transcrevo na íntegra:

A chamada RENDA TÉCNICA praticada pelo F.F.H. e C.N.P. em 1974 e que se prolongou pelos anos seguintes, era calculada pelos custos da obra, terrenos, materiais, custos de investimento, honorários, etc., etc.. Apurava-se através de uma fórmula de facto técnica, e era usada por os técnicos que trabalhavam na Construção e Habitação (Eng. Civis, Projectistas, Funcionários Administrativos, etc.),
Para fazer uma ideia aproximada de como se apurava o valor a atribuir à dita Renda, segue-se um exemplo que nada tem a ver com o verdadeiro apuramento mas que ajuda a perceber o princípio:
Ao custo total do Lote divide-se pelo número de metros quadrados existentes, valor esse que por sua vez se divide por 300 meses (25 anos). O valor obtido era considerado o da Renda Técnica.
Mais uma vez se afirma que este exemplo não se destina a especialistas, mas como contribuição para um entendimento simples do assunto.

É uma renda destinada a pagar a habitação durante vários anos, daí não sofrer alterações, e como não tem alterações, é uma RENDA FIXA.
Para além de todas estas considerações, foi acordado entre todos os interessados (F.F.H, C.N.P., A.G.P.L., SONAP, P.S.P) que a renda seria fixa. o ESTADO deu o seu aval (MINIST. HABITAÇÃO, SECRET. ESTADO REGIONAL). Tornou-se Lei. Com excepção dos Municipios, o Estado sempre praticou rendas fixas. A diferença é que no passado ao fim de 25 anos os moradores passavam a ser proprietários das habitações.

As rendas manter-se-ão como estão, no entanto torna-se necessário a criação de um suplemento destinado a futuras obras e à normal manutenção dos edifícios. É muito importante a discussão deste assunto.

A "reportagem fotográfica" ao interior das casas não tem qualquer razão de ser; para os moradores que já têm o seu problema resolvido há muitos anos não são obrigados a abrir a sua porta. Se alguem tem saudades desses tempos, é melhor desistir.
Vitor Rolo